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O Terramoto de 1755, a Torre do Tombo e Manuel da Maia

 

 PT-TT-JCS-17-75
Às 9h30 da manhã do dia 1 de Novembro de 1755, dia de Todos-os-Santos, Portugal foi assolado por uma das maiores catástrofes até hoje sofridas.O forte terramoto, seguido de um maremoto atingiu principalmente a cidade de Lisboa, e a costa marítima a sul. Lisboa ficou praticamente destruída pelo sismo e pelos múltiplos incêndios que se propagaram pela cidade.O trágico acontecimento foi divulgado por todo o mundo conhecido. Naquela data, era guarda-mor da Torre do Tombo Manuel da Maia. Notabilizou-se enquanto responsável pelo êxito de alguns dos mais ambiciosos projectos de engenharia do seu tempo, como a introdução das Águas Livres, a elaboração da planta da cidade de Lisboa e a construção da estátua equestre do rei D. José I.  PT-TT-JCS-17-45_m0001a

D-Jose-I

D. José I

Manuel-da-Maia

Manuel da Maia

Mas o maior legado de Manuel da Maia, porém o mais desconhecido do público em geral, deve-se ao desempenho do cargo de guarda-mor do Real Arquivo da Torre do Tombo, para o qual tinha sido nomeado a 12 de Novembro de 1745. Embora pressionados pelo seu guarda-mor, foi necessário o Terramoto de 1755 para que o Real Arquivo merecesse uma especial atenção dos governantes. Em carta dirigida a Manuel da Maia, datada de 6 de Novembro de 1755, Sebastião José de Carvalho e Mello, marquês de Pombal, referiu o facto da torre do Castelo de São Jorge onde estava guardado o arquivo régio ter ruído durante o terramoto, mas não ter sido atingida pelo flagelo dos incêndios e, deu livre jurisdição para que, em resposta ao solicitado, Manuel da Maia pudesse mandar construir uma barraca de madeira na Praça de Armas do castelo, para nela recolher, provisoriamente, a documentação salva dos escombros.

Marques-de-Pombal

Marquês de Pombal

 PT-TT-OVNA-892_0079 Construída a barraca de madeira e nela depositados todos os documentos do Real Arquivo da Torre do Tombo, Manuel da Maia procedeu ao levantamento da documentação, com a preocupação de verificar as faltas e de estabelecer a correcta ordenação dos livros e demais papeis.A falta de condições obrigou o guarda-mor a empreender os seus esforços, durante cerca de um ano e meio, na busca de um espaço novo, e definitivo, para a instalação do Arquivo Real. Após inúmera correspondência trocada com a Secretaria de Estado dos Negócios do Reino, foi informado da existência e disponibilidade de umas casas contíguas ao Mosteiro de São Bento da Saúde, a que davam o nome de Casa dos Bispos. Em 26 e 27 de Agosto de 1757, foi transferida para uma parte do edifício do Mosteiro de São Bento da Saúde, do lado da Calçada da Estrela, ocupando as instalações designadas por Casa dos Bispos e compartimentos contíguos, que foram arrendados ao mosteiro. Houve então que proceder à sua instalação, e à sua organização.
Assim se deu início ao trabalho de ordenação de muita documentação, para tal se constituindo a colecção denominada por Corpo Cronológico, hoje inscrita na UNESCO, como Registo da Memória do Mundo. Os oficiais do arquivo fizeram várias cópias de documentos, nomeadamente, a Reforma das Gavetas, a Reforma dos Forais Antigos, e a colecção de Cópias, tendo continuado o trabalho de descrição de documentos de que resultaram os índices do Corpo Cronológico (1764), os sumários e índices dos documentos das Gavetas (1765), os índices dos livros das Ementas (1765), os índice dos maços das Moradias e dos Ofícios da Casa Real (1767, 1770), o inventário dos documentos da Casa da Coroa (1776).Grande parte dos índices produzidos por Manuel da Maia é ainda hoje utilizada por muitos leitores da Torre do Tombo. Como bem o descreve na “Notícia da Destruição e Restauração do Real Arquivo da Torre do Tombo”, Manuel da Maia, logo após o terramoto, sentiu necessidade de proceder ao recenseamento da documentação, no sentido de verificar as faltas e reordenar a documentação dispersa.  PT-TT-OVNA-892_0007

Veja a descrição destes documentos:

 PT-TT-JCS-18-165 “Olissippo quae nunc Lisboa, civitas amplissima lusitaniae, ad Tagum, totius orientis, et multarum insularum africaeque et americae emporium nobilissimum”. Portugal, Torre do Tombo, Colecção Castilho, pt. 18, doc. 165.  PT-TT-JCS-17-41_m0001a “Triste tableau des effects causés par le tremblement de terre et incendies arrivés a Lisbonne le 1er Novembre 1755”. Portugal, Torre do Tombo, Colecção Castilho, pt. 17, doc. 41.
 PT-TT-JCS-17-42_m0001a “Destruction de Lisbone”. Portugal, Torre do Tombo, Colecção Castilho, pt. 17, doc. 42.  PT-TT-JCS-17-76  “Terramoto de Lisboa”. Portugal, Torre do Tombo, Colecção Castilho, pt. 17, doc. 76.
 PT-TT-JCS-17-20  “Panorama de Lisboa antes do terramoto de 1755 (segundo uma gravura da época)”. Portugal, Torre do Tombo, Colecção Castilho, pt. 17, doc. 20.  PT-TT-AA-001-0002-00038_0003 “Carta de D. José Sebastião de Carvalho e Mello, em resposta a duas que recebeu de Manuel da Maia, na qual expunha o quanto fora agradável a sua majestade ficar salvo e o mesmo Real Arquivo que tanto cuidado lhe dava, das ruínas do terramoto.” 1755-11-06. Portugal, Torre do Tombo, Arquivo do Arquivo, Avisos e Ordens, mç. 2, n.º 38.
 PT-TT-JCS-17-99  “Vista de Lisboa antes do terramoto de 1755”. 1836. Portugal, Torre do Tombo, Colecção Castilho, pt. 17, doc. 98 e 99.  PT-TT-AA-001-0002-00038_0004

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Última Actualização: 9 de Agosto de 2016