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2 de Maio de 2011

Documento do mês – Maio

O Documento do Mês de Maio celebra a primeira eleitora feminina portuguesa, nas eleições de 1911, Carolina Beatriz  Ângelo,  na foto  acompanhada por Ana de Castro Osório, presidente da Liga das Sufragistas Portuguesas.

“A sr.ª D. Carolina Beatriz Ângelo, a primeira eleitora portuguesa, acompanhada pela sr.ª D. Ana de Castro Osório, presidente da Liga das Sufragistas Portuguesas”. 1911. Portugal, Torre do Tombo, Empresa Pública Jornal O Século, Joshua Benoliel, lote 08, cx. 04 negativo 05

Carolina Beatriz Ângelo contava assim o seu feito:

 Eu e um grupo de 10 senhoras, pertencentes à Associação de Propaganda Feminista, dirigimo-nos para o Club Esthefania, pelas 10 horas da manhã, onde entrámos sem incidente digno de nota, sendo respeitosamente acolhidas e muito cumprimentadas por todos os que ocupavam o enorme salão. No final da primeira chamada, o presidente da Assembleia, Sr. Constâncio de Oliveira, consultou a mesa sobre se deveria ou não aceitar o meu voto, consulta na verdade extravagante, porquanto, estando recenseada em virtude duma sentença judicial, a mesa não tinha competência para se intrometer no assunto (…). Foi contra esta descabida consulta à mesa que se levantaram várias vozes de protesto, entre as quais muito intensamente sobressaiu a de um cavalheiro que não conhecíamos e que, depois de insistirmos para que nos desse o nome, soubemos chamar-se Joaquim Beja. Todas as sufragistas presentes lhe agradeceram (…) Nessa ocasião o presidente da mesa dirigiu-me palavras de elogio e deferência, individualmente imerecidas, manifestando-se a Assembleia estrondosamente com palmas e vivas, ao que eu respondi agradecendo e prometendo participar às sufragistas de todo o mundo civilizado, que ultimamente muito me têm felicitado, que os mais inteligentes homens portugueses estão connosco, comparticipando do mesmo ideal.

ÂNGELO, Carolina Beatriz, in A capital, 29 de Maio de 1911. Cit. por ARMADA, Fina D’ – As mulheres na Implantação da República. Lisboa: Ésquilo, 2010. ISBN 978-989-8092-83-0. p. 297-298

Esta notícia foi publicada em 2 de Maio de 2011 e foi arquivada em: Documento em Destaque.

Comentários

  1. Isabel Coelho - 6 de Maio de 2011

    Para festejar o mês de Maio, o centenário da Implantação da República, e a conquista dos direitos femininos, a selecção de informação/documento do mês não podia ser mais elucidativa e memorável. Em Maio celebra-se o Dia do Trabalhador, celebra-se o Dia da Mãe, celebra-se ainda o Mês de Maria no calendário litúrgico e portanto lembrar Carolina Beatriz Ângelo e Ana de Castro Osório é valorizar a cidadania, um passo decisivo na luta pelos direitos das mulheres em Portugal, enriquecendo assim, positivamente, a História da Mulher em Portugal. Excelente dinâmica no Arquivo nacional da Torre do Tombo.

  2. Maria Vidazinha - 11 de Maio de 2011

    É de louvar que alguém neste país se lembre de comemorar momentos como estes, principalmente porque, passados cem anos, a ignorância em todos os sentidos, entre eles o conhecimento dos seus direiros mais fundamentais, afecta ainada hoje milhares e milhares de mulheres portuguesas.

  3. Maria Alice Samuel - 19 de Maio de 2011

    Muito bom. O documento escrito pela Senhora Carolina Beatriz Angelo está muito bem escrito. De facto a escolha não podia ser melhor!
    Feliz do País que tem um Arquivo Nacional da Torre do Tombo e tão dinâmica como diz a Isabel Coelho. Nós por estas bandas ainda penamos.

  4. Maria Lucia Marques Serralheiro - 4 de Junho de 2011

    Felicito a notícia mês pelo valor da memória da História das Mulheres, tão ainda por fazer e divulgar….
    A UMAR, União das Mulheres Alternativa e Resposta celebrou o centenário da votação de Carolina Beatriz Angelo (1877-1911) com um Seminário Internacional realizado no passado dia 28 de Maio na Universidade Nova de Lisboa. As pessoas presentes aplaudiram a proposta apresentada pela jornalista Antonia Palla para que Carolina Beatriz Angelo seja trasladada para o Panteão Nacional, pela sua vida de cidadã interventiva, lutadora pelos direitos das mulheres, pela sua coragem, feminista e médica. O Hospital de Loures irá ter o nome de Beatriz Angelo em sua homenagem. A partir de três de Outubro, data da sua morte, pode ser visitada na Assembleia da República a Exposição vinda do Museu da Guarda, sua terra natal.

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